outra agricultura qual agronomia

Entre os dias 25 e 29 de julho de 2017 estará acontecendo o 60º Congresso Nacional de Estudantes de Agronomia – CONEA, na Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria – RS, com a temática “Uma outra agricultura é possível. Qual a agronomia necessária?”. Por considerarmos importante compreendermos as intenções do congresso escrevemos esse breve documento a fim de trazer à tona alguns elementos que serão trabalhados com a temática proposta.

Antes de mais nada, é importante observar que passamos por um momento na sociedade em que nós, profissionais e estudantes da área das ciências rurais, nos defrontamos diariamente com indagações a respeito do modelo de produção atual e qual a nossa posição frente ao mesmo, ou seja, se existe a possibilidade real de produzirmos de uma maneira alternativa e, portanto, mais ecológica a que está posta na ordem do dia.

Como falado acima, é preciso considerar que existe um modelo de desenvolvimento agrário que está hegemonicamente difundido na atualidade. Um modelo que se caracteriza pelo uso intensivo do solo; alto consumo de insumos externos (agrotóxicos, fertilizantes químicos e sementes transgênicas); baseado no monocultivo de commodities; resultando em êxodo rural e concentração das terras. Em síntese um modelo que prioriza os grandes proprietários em detrimento dos médios e pequenos agricultores. Frente à isso é importante ressaltar: em se tratando de ser o atual não significa, por conseguinte, ser o modelo ideal. Nesse sentido uma visão crítica sobre esse aspecto não só é fundamental, como extremamente necessária.

Com efeito, faz-se oportuno sublinhar que há uma larga e crescente pressão da sociedade brasileira na busca por alimentos de melhor qualidade e livre de agrotóxicos. Assim, a tendência que se cria para o futuro da produção agropecuária é a incorporação de práticas mais sustentáveis e de manejo agroecológico.

Nesse cenário, os cursos de Agronomia cumprem hoje um papel central na manutenção do modelo atual, sobretudo se avaliarmos o pequeno espaço – quando há – para refletirmos criticamente dentro dos próprios cursos sobre os elementos elencados acima.

Compreendemos que hoje a nossa formação profissional carece de conteúdo, bem como de métodos e estratégias pedagógicas que sejam capazes de construir uma visão profissional crítica sobre o meio rural ao estudante de Agronomia.

Em linhas gerais, são esses alguns dos principais debates que pretendemos fomentar e aprofundar no decorrer do 60º CONEA e, por mais desafiadores que os sejam de fazer, sobretudo por sua complexidade, não cabe a nós fugir desses questionamentos, pelo contrário, pois como técnicos da área (formados ou em formação) devemos desenvolver senso crítico e emitir nossa opinião considerando os ônus e bônus de determinados modelos de produção, tendo como horizonte a construção de um meio rural não só a partir de um viés produtivo, mas também como um meio de reprodução de vida.

Com isso, esperamos todos e todas em Santa Maria – RS, nos 45 anos da FEAB para em conjunto refletirmos e construirmos novas opiniões sobre este importante tema para a sociedade brasileira.

Comissão Organizadora do 60º CONEA | FEAB 45 anos
FEAB Santa Maria

Anúncios